
Mensagem para pai Oxalá
Então Exu, depois de receber o pedido de Oxalá, foi á procura de um terreiro, e sabe-se lá o porquê, escolheu determinado local, e com determinado dirigente que não é permitido divulgar. Ao chegar, entrou com facilidade no ritual, pois com surpresa sua, nem sequer qualquer tipo de segurança havia, tudo o que encontrou a rondar o terreiro eram apenas kiumbas que se faziam passar por todo o tipo de entidades, nada mais.
Deparou-se então com o dirigente espiritual, que nem sequer ordem tinha para dirigir qualquer tipo de ritual, e sem qualquer critério agregava filhos para a sua casa, pois só lhe interessava os números e que a sua popularidade aumentasse. Viu também serem cobradas avultadas quantias pelos supostos trabalhos para ajudar os filhos da casa, e as pessoas que iam em busca de ajuda. Favores sexuais em troca, também eram comuns.
Nessa casa habitava a promiscuidade e o incesto entre os filhos. Entidades de esquerda eram usadas para conseguir favores sexuais, estas que nem sequer Exu e Pombagira eram, mas sim kiumbas que se faziam passar por tal.
Os filhos dessa casa não tinham amor nem ás entidades, nem aos Orixás, tinham antes interesse no que poderiam obter através deles. O respeito pelo sagrado ritual, pelos Orixás, e pelo Criador, havia-se perdido totalmente, ficando apenas em troca, todos os mais variados tipos de vicios.
Exu nem queria acreditar em tamanha desgraça, mas se ria imenso mesmo assim, e apesar da sua enorme tristeza interior, pois não tinha coragem de contar a Oxalá o que via, e ver seus olhos tristes e desiludidos.
Então Exu, partiu em busca de um outro terreiro, na esperança de poder levar melhores noticias a Oxalá. Encontrou um outro (que também não é permitido divulgar), e este sim, tinha um dirigente devidamente ordenado e consagrado pelos Orixás, com ordem para dirigir o ritual e seu terreiro. Mas, e apesar da disciplina imposta, do desejo de seguir as leis divinas, e do amor e carinho por Zambi, pelos Orixás, pelos seus guias e entidades que incorporavam em seu terreiro, muitos de seus filhos só procuravam obter e realizar os próprios desejos.
Exu viu também que esses filhos, quando chegavam á conclusão que não era essa a finalidade da casa, e que não obtinham e satisfaziam rapidamente os seus interesses, estes se revoltavam contra o dirigente, saindo e abandonando o terreiro, aproveitando para despejar a sua raiva por tamanha frustração através da má lingua, inventando as mais variadas histórias e situações, de modo a rebaixar e maldizer o dirigente, a casa, e até os próprios irmãos de fé. E mais uma vez Exu ficou desiludido, e sem coragem para contar a Oxalá o que viu.
Decidiu então pedir ajuda aos outros Orixás, contando tudo o que viu, e explicando a sua difícil missão.
Ogum, sendo aquele que talvez tenha menos paciência, foi o primeiro a se manifestar, e se revoltou por tamanha desordem e falta de disciplina. Xangô o seguiu, e com uma enorme força, bateu com seu machado no chão, revoltado com tantas injustiças. Iemanjá fez levantar a força dos mares. Iansã fez soprar os mais terríveis ventos. E todos, um a um, se mostraram tristes e revoltados.
Todos eles estavam de acordo, que aquelas tristes noticias não poderiam chegar a Oxalá, pois nenhum deles queria ver derramadas no seu rosto, as lágrimas de sua tristeza.
Combinaram então todos entre si, incluindo Exu e Pombagira, que iriam corrigir a situação, castigando dentro das leis divinas, os filhos ingratos e mal intencionados, os falsos e os irresponsáveis dirigentes espirituais, e em seguida fechar os seus templos e terreiros que não seguissem a verdadeira fé, verdade, justiça, e amor de Oxalá.
O tempo foi passando, e ainda hoje Oxalá espera pelo relatório de Exu, para poder dar as boas novas a Zambi...
Lisboa, 9 de Maio de 2010 © Paulo Lourenço “Ramiro de Kali”
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